Que seja espelho transparente
Na textura da linguagem
Perfeita, desvairada, incoerente,
Diáfana, translúcida imagem.
Que seja bela e despida,
No toque de um ser invisível,
do poeta, do verso da rima partida,
Da palavra, do traço incorrigível.
A roupagem não atrapalha a nudez,
forma-se um explícita forma,
Na clareza simples da tez.
Não seria tornar deusa a norma,
Mas retirar de cima a palidez
Do que sempre foi óbvio.
Reginaldo Bastos
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