quarta-feira, 14 de agosto de 2019

PROVISÓRIO


Ser a vida precária,
Na efemeridade das coisas que temos,
Sentimentos transitórios...
Uma flor temporária em seu nascer
Na imagem que descortina na retina do olhar.
Na dor que finda,
No amor que de passagem reflete o interior pro mundo.
Na ânsia de olhar antes que acabe,
No desejo intrínseco de um ser provisório,
Que chora, sorrir, grita, geme, se assusta com o que é simples demais...
Provisoriamente cantaremos o que estiver próximo,
Porque o que permanece é a essência até o infinito precário da existência.
Reginaldo Bastos  

2 comentários:

  1. Uma ode a efemeridade da vida:
    O Mistério da vida

    Que trenzinho será esse
    Que partiu agora a instantes
    Está em um livro como esse
    Ausente nas estantes

    Que trenzinho será esse
    Que apita sem ninguém escutar
    Um mistério como esse
    É dificil decifrar

    Que trenzinho será esse
    Sem bagagem e passageiro
    Não definido como esse
    Estranho pesadelo

    Esse trenzinho que passa
    Passa rápido de passar
    Mesmo Maria-fumaça
    Faz poeira levantar

    É o trenzinho caipira
    Que Villa Lobos concebeu
    É a vida,
    Para alguém que não morreu

    O destino desse trem
    É a gare do não saber
    Se afastando para o além
    Até desaparecer...

    (Escrito no ano de 1988)
    Tenha uma semana excelente amigo

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  2. Eterna Urbe
    Um momento se sobrepõe a eternidade
    Que são vários segundos de mim,
    Frações de tempo inconstantes e sem fim.
    Que se repetem ou não em meu peito
    Vagueiam sem leito no ermo da cidade vazia,
    Nessa turba se movem pensamentos de noite e de dia.
    Os bueiros das mágoas se alagam inutilmente
    As luzes se apagam por onde passo,
    De neon do neófito que sou eu;
    Minhas pegadas se perdem e não me acho,
    Encontro lembranças felizes no mais escuro breu.
    O passado é hoje no retrocesso da imagem
    Na retina dessa viagem não há presente;
    Só se sente o vislumbre persistente
    Num rato conflitante,
    Que rói o meu amor em um instante.
    As ruas se cruzam de lixo ao luxo
    E a multidão interrompe seu fluxo,
    Agora sou menino olhando da calçada,
    As janelas fechadas da infância.
    Mas vejo somente a porta aberta e o infinito corredor,
    Revestir essa edificação recobra esperanças:
    Voltar a ser criança reconstrói o meu amor.
    - Luiz Alvarenga 25-08-2019

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