Ser a vida precária,
Na efemeridade das coisas que temos,
Sentimentos transitórios...
Uma flor temporária em seu nascer
Na imagem que descortina na retina do olhar.
Na dor que finda,
No amor que de passagem reflete o interior pro mundo.
Na ânsia de olhar antes que acabe,
No desejo intrínseco de um ser provisório,
Que chora, sorrir, grita, geme, se assusta com o que é
simples demais...
Provisoriamente cantaremos o que estiver próximo,
Porque o que permanece é a essência até o infinito precário
da existência.
Reginaldo Bastos
Uma ode a efemeridade da vida:
ResponderExcluirO Mistério da vida
Que trenzinho será esse
Que partiu agora a instantes
Está em um livro como esse
Ausente nas estantes
Que trenzinho será esse
Que apita sem ninguém escutar
Um mistério como esse
É dificil decifrar
Que trenzinho será esse
Sem bagagem e passageiro
Não definido como esse
Estranho pesadelo
Esse trenzinho que passa
Passa rápido de passar
Mesmo Maria-fumaça
Faz poeira levantar
É o trenzinho caipira
Que Villa Lobos concebeu
É a vida,
Para alguém que não morreu
O destino desse trem
É a gare do não saber
Se afastando para o além
Até desaparecer...
(Escrito no ano de 1988)
Tenha uma semana excelente amigo
Eterna Urbe
ResponderExcluirUm momento se sobrepõe a eternidade
Que são vários segundos de mim,
Frações de tempo inconstantes e sem fim.
Que se repetem ou não em meu peito
Vagueiam sem leito no ermo da cidade vazia,
Nessa turba se movem pensamentos de noite e de dia.
Os bueiros das mágoas se alagam inutilmente
As luzes se apagam por onde passo,
De neon do neófito que sou eu;
Minhas pegadas se perdem e não me acho,
Encontro lembranças felizes no mais escuro breu.
O passado é hoje no retrocesso da imagem
Na retina dessa viagem não há presente;
Só se sente o vislumbre persistente
Num rato conflitante,
Que rói o meu amor em um instante.
As ruas se cruzam de lixo ao luxo
E a multidão interrompe seu fluxo,
Agora sou menino olhando da calçada,
As janelas fechadas da infância.
Mas vejo somente a porta aberta e o infinito corredor,
Revestir essa edificação recobra esperanças:
Voltar a ser criança reconstrói o meu amor.
- Luiz Alvarenga 25-08-2019